O luxo raro...

 


Dias de Folga...

O meu dia de folga começa sem pressa. O relógio perde autoridade e o corpo assume o comando. Não há listas, não há urgências — só o luxo raro de poder decidir devagar. O descanso não é fazer nada; é poder fazer uma coisa de cada vez, sem a culpa de estar a falhar noutra.

Acordo sem despertador e deixo o corpo decidir a hora. Há café, há luz a entrar pelas janelas, há uma casa que me espera sem exigências. O tempo deixa de ser uma linha reta e passa a ser um espaço onde me posso sentar.

Neste dia, não produzo. Não correspondo. Não corro atrás. Arrumo coisas pequenas, penso noutras maiores, deixo pensamentos a meio — e isso também é descanso. O cansaço não sai todo, mas aprende a respirar comigo.

No meu dia de folga, descanso como quem se recolhe. Não para desaparecer, mas para voltar inteira.

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