Toda a gente diz que quer ser feliz, mas não é verdade. O que a maioria quer é não sofrer, e para isso aceita viver pequeno, contido, anestesiado.
Vivemos presos entre dois medos: o medo de avançar para ser feliz e o medo de que, avançando, possamos falhar e ser infeliz. Então ficamos. Parados. A vida passa e nós ficamos a olhar, a apodrecer devagar, convencidos de que a segurança é virtude quando muitas vezes é só covardia bem justificada.
E assim passa a vida a única, curta, irrepetível desperdiçada com uma eficiência assustadora. Mesmo sabendo que o tempo não volta, insistimos em bloqueios, receios, desculpas, como se houvesse uma segunda ronda para viver o que não se teve coragem de viver agora.
Somos limitados pela família, pelas relações, pelas cedências constantes, pelo patrão, pelos amigos, por um amor torto que prende mais do que liberta. Criam-se pequenas prisões confortáveis, disfarçadas de responsabilidade, maturidade ou compromisso.
E de repente aquilo que era para ser a tua identidade transforma-se numa personagem moldada ao gosto dos outros, aprovada pelos outros, validada pelos outros.
Tu ficas em segundo plano na tua própria vida.
O resultado é sempre o mesmo: frustrações acumuladas, ansiedades normalizadas, depressões mascaradas de cansaço, burnouts, traições, lamentos, humilhações, abandonos, relações partidas, gritos, discussões, acusações, críticas. E ninguém quer assumir a parte que lhe cabe. A culpa é do outro, do sistema, do destino, da falta de sorte. Tudo serve para evitar a verdade mais desconfortável de todas.
A verdade é simples tu és a energia que aceitas absorver. Aquilo que toleras, repete-se. Aquilo que não enfrentas, domina-te.
Andamos todos cheios de roupas de marca, bons carros, perfumes caros, corpos treinados, rostos maquilhados, sorrisos ensaiados. Por fora, sucesso. Por dentro, gente F&d#d%, desregulada, perdida. Corpos tratados, mentes abandonadas. Vidas vividas para fora, consciências em ruína por dentro.
E o mais trágico é que muitos nunca vão perceber que a "prisão" não foi imposta. Foi escolhida.
A liberdade assusta. A responsabilidade assusta ainda mais. Mas sem isso não há felicidade, só sobrevivência bem vestida, só uma vida morna, confortável e profundamente infeliz.
Não deixes que um dia seja tarde para aquilo que hoje precisas.

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